quinta-feira, 24 de maio de 2012

Meu Top 15 de musicais


Por quase um mês fiquei pensando quais seriam meus 15 musicais favoritos e ainda ter o difícil trabalho de pensar na ordem correta para essa listagem. Infelizmente outros musicais que eu amo e tenho como favoritos não entraram na lista como Promises Promises, Gypsy, Taboo, South Pacific, Carousel, You’re a Good Man Charlie Brown, Anything Goes e Hairspray. Não foi fácil deixar esses para trás.

Eis o meu Top 15:


15º: Sweeney Todd 

Stephen Sondheim estava em sua melhor época criativa, elevando seu trabalho a uma obra de arte única onde ele mistura o horror com humor negro. Na Broadway, tivemos sorte de ter atores maravilhosos no papel de Sweeney e Mrs. Lovett como George Hearn e Angela Lansbury. Não desmerecendo Michael Cerveris e Patti LuPone que fizeram o revival em 2005. Pontos extras pela música Pretty Women que sempre emociona!

Músicas favoritas: Pretty Women, The Worst Pies in London, Johanna


14º: The Sound of Music 

The hills are alive...! O famoso musical do Rodgers & Hammerstein que levou muitos a gostarem de musicais, assim como eu. Facilmente a gente embarca na história e se encanta por Do-Re-Mi e My Favourite Things, ainda mais quando nós tivemos a melhor Maria possível no cinema: Julie Andrews. Não esquecendo que Mary Martin fez um ótimo trabalho como a primeira Maria no palco e recentemente Connie Fisher em Londres.

Músicas favoritas: Climb Ev’ry Montain, Do-Re-Mi, My Favorite Things, I Have Confidence


13º: Oklahoma!

Segundo e último musical do Rodgers & Hammerstein no meu Top 15. O musical que quebrou recordes e padrões na Broadway é absolutamente incrível, mesmo com sua história simples e modesta sobre a vida no campo. Já na abertura com Oh, What A Beautiful Morning o musical já mostra potencia que é levado até os momentos finais. A cena de Out of My Dreams seguido do ballet já vale o musical inteiro, sempre de tirar o fôlego.

Músicas favoritas: Out of My Dreams, Oklahoma!, Surrey With The Fringe On Top, People Will Say We're In Love


12º: Annie

Tomorrow! Tomorrow! A famosa história da menina órfã que tem o sonho de encontrar seus pais e que me faz chorar da abertura com Maybe até o final. Felizmente os fãs de Annie foram presenteados com dois filmes, um não tão bom de 1982 e uma versão para TV de 1999 que é fantástica. Nesses dois filmes o elenco sempre foi de peso, Carol Burnett, Tim Curry, Bernardette Peters e Albert Finney na versão de 1982, e Victor Garber, Kathy Bates, Alan Cumming, Audra McDonald, Kristin Chenoweth e Sarah Hyland na versão de 1999. Não esquecendo do grande sucesso que foi Andrea McArdle como a primeira Annie da Broadway e que até nos dias de hoje ainda faz sucesso.

Músicas favoritas: NYC, It's The Hard-Knock Life, Tomorrow, You're Never Fully Dressed Without a Smile


11º: Sunday in the Park with George 

Arte sobre arte. Sondheim deu vida ao famoso quadro A Sunday Afternoon on the Island of La Grande Jatte do Georges Seurat criando uma ligação pessoal entre o público e os personagens do quadro. Mesmo o segundo ato se tornar estranho e se perder um pouco, o fechamento é emocionante com a reprise de Sunday. Não preciso me prolongar ao falar de Sondheim.

Músicas favoritas: Sunday, Putting it Together, Move On, We Do Not Belong Together.


10º: Spring Awakening 

Um dos musicais mais poéticos que poderia existir. Fui conhecer apenas quando foi anunciada a versão brasileira e instantaneamente se tornou a única coisa que eu escutava, até ajudou a superar alguns meses complicados que eu passei. As músicas de Blue Wind e Purple Summer são tão perfeitamente escritas que elas criaram um filme na minha cabeça que sempre revejo quando eu as escuto. Duncan Sheik e Steven Sater fizeram um trabalho maravilhoso que vai durar ainda por muito tempo. Infelizmente a versão brasileira não conseguiu manter a poética das músicas originais por mais impecável que a produção estava.


Músicas favoritas: Totally Fucked, Don’t Do Sadness/ Blue Wind, The Song of Purple Summer


9º: Godspell 

O belíssimo musical de Stephen Schwartz baseado no Evangelho segundo Mateus! O primeiro contato que tive com o musical foi com a trilha sonora do filme. Na época, joguei a trilha no meu MP3 player e minhas idas para faculdade tornaram-se mais agradáveis. Depois que as músicas facilmente caíram no meu gosto fui procurar pelo filme. Foi uma tarefa difícil já que no Brasil o DVD tinha saído de catálogo. Sem esperanças de encontrar por aqui, acabei importando pelo Amazon. Assisti assim que o DVD chegou em casa e algo especial aconteceu pela primeira vez: quando terminou o filme coloquei o filme no começo para ver a cena de abertura e quando menos percebo tinha assistido o filme todo novamente. Mesmo não me considerando uma pessoa religiosa, as músicas e a história são lindas e emocionantes.

Músicas favoritas: Day By Day, By My Side, Light of the World, On the Willows, Finale


8º: Hair

Até ano passado esse musical estaria longe do meu Top 15, talvez nem eu fazendo um Top 30 não entraria. Foi a versão do Möeller & Botelho que fez a mágica. Poucos musicais fazem cena por cena ficarem tatuadas na mente e ter um efeito tão devastador como esse. Realmente é sair de alma lavada do teatro. Outros pontos extras vão para o mantra Hare Krishna e para o segundo ato que em minha opinião é o ponto alto da peça. Infelizmente o filme não faz jus a peça, mas mesmo assim com o filme conseguimos ter um gostinho do que é presenciar tudo ao vivo.

Músicas favoritas: Be-In (Hare Krishna), Three-Five-Zero-Zero, Let the Sunshine In, Ain't Got No


7º: My Fair Lady

Dois motivos para amar o musical: filme com Audrey Hepburn e musical original com Julie Andrews, além disso Rex Harrison nas duas versões, alguém que até hoje nunca foi superado como Prof. Higgins. As músicas marcantes e a personagem da Eliza Dolittle conduzem o público nessa história de amor sem abraços, beijos e demonstração de afeto, e mesmo que esteja um pouco datado, o enredo não perde sua magia e graça.

Músicas favoritas: Overture, I Could Have Danced All Night, On The Street Where You Live, Ascot Gavotte, Wouldn't It Be So Lovely.



6ª: On a Clear Day You Can See Forever

Em 2008, escutei pela primeira vez “On a Clear Day” de forma aleatória, só porque achei o nome bonito. Logo de cara eu me apaixonei só pelo Overture. As músicas me levaram a um lugar que nunca tinha me levado antes: para uma época que eu ainda não tinha nascido e me fez sentir nostálgico de viver aquele momento desconhecido. Isso me faz até pensar em vidas passadas que é o tema do musical. Na versão da Broadway temos a maravilhosa Barbara Harris no papel da Daisy Gamble, já na versão cinematográfica que infelizmente não implacou, Barbra Streisand fez o papel da engraçada Daisy.

Músicas favoritas: Overture, Come Back To Me, Wait Till We're Sixty-Five, Hurry! It's Lovely Up Here.


5º: Chess

Meu primeiro CD de musical que comprei foi Chess em 1998. Aprendi a gostar das músicas e tinha épocas que escutava o CD sem parar, do início ao fim. Mesmo o assunto distinto do musical que aborda a política EUA vs. União Soviética durante campeonatos de xadrez, as músicas são belíssimas. Não é à toa, as músicas foram compostas pelos perfeccionistas Björn Ulvaeus e Benny Andersson do ABBA que trabalharam por cinco anos em suas composições e com direito das letras serem escritas pelo Tim Rice.

Músicas favoritas: The Deal, Someone Else’s Story, Nobody’s Side, Endgame


4º: Mary Poppins 

Um dos poucos musicais assim como “On a Clear Day” que me transportam para uma época que eu não vivi. As canções do Mary Poppins me levam diretamente pra Londres Eduardiana, onde consigo me imaginar andando nas ruas mal cuidadas e mal cheirosas de Londres do início do século XX. Até desconsidero o filme famosíssimo, já que a versão de palco é extremamente melhor e mais elaborada que o filme. Um dos maiores motivos para eu amar o musical é a música Anything Can Happen, tão simples e tão bem feita que não há como não se apaixonar, ainda mais pela mensagem que a letra trás.

Músicas favoritas: Anything Can Happen, Step In Time, Being Mrs. Banks, Supercalifragilisticexpialidocious.


3º: Carrie 

Esse já ganhou uma postagem especial aqui no meu blog. O musical vai além de ser uma paixão, é uma obsessão. Não há nem como explicar. Desde criança sempre fui apaixonado pelo filme Carrie e quando eu soube que a história teve um musical fracassado, a primeira coisa foi procurar sobre ele. A música de abertura In foi o suficiente pra essa obsessão começar. A cada coisa que lia e descobria sobre o musical era algo mais para gostar. O material existente é todo não-oficial e tão escasso que faz tudo ser especial. As performances de Linzi Hateley e Betty Buckley juntas estão fenomenais, e pelo menos é algo que sempre foi aclamado pela crítica. Infelizmente durou apenas por 5 performances e não teve tempo para ser indicado ao Tony, que provavelmente teria sido bastante nomeado.

Músicas favoritas: In, The Destruction, Carrie, I Remember How Those Boys Could Dance, And Eve Was Weak.

                                             
2º: Rent 

Comecei realmente a gostar do RENT após ter visto o documentário sobre o Jonathan Larson que o DVD do filme trás. Achei tão extremamente triste a história e a “sorte” do Jonathan que o musical começou a fazer sentido. É incrível o poder da obra deixada por ele, mesmo quase 20 anos depois ainda é atual e ganha fãs da nova geração. Impressionante é também a força do segundo ato, música após música vai te levando para o fundo do poço, mas no final te reergue com alegria e enche de esperança.

Músicas favoritas: Finale B, Another Day, La Vie Boheme A/B, Goodbye Love, I’ll Cover You B


1 º: Show Boat 

Não é difícil falar do meu musical número 1. Ele sempre esteve nessa posição e não consigo imaginar não sendo meu number one. O que esperar de um musical de 1927 que está prestes a completar 85 anos? Ele é tão fabuloso pela sua história dentro da arte dos musicais quanto por suas músicas e o enredo. Show Boat foi um divisor de águas do teatro americano. Na noite do dia 27 de dezembro de 1927, o que o público pode ver foi o primeiro musical na qual as músicas narravam uma história. Foi também a primeira peça a ficar por mais de 1 ano e meio em cartaz na Broadway e ter inúmeros revivals. Além disso, a obra ganhou 3 filmes e 15 minutos de recriação da noite de estreia da Broadway no filme “Quando As Nuvens Passam” (Till The Clouds Roll By – 1947). Conheci o musical de forma aleatória, escutando alguns musicais que eu tinha achado e não fazia muita conta do que se tratava. As músicas me encantaram de uma forma que não conseguia parar de escutar. Tanto que duas músicas que considero uma das minhas preferidas de uma vida inteira são do Show Boat: A singela Bill e a contagiante Can’t Help Lovin’ Dat Man. Jerome Kern e Oscar Hammerstein II escreveram músicas que ainda vão ecoar por muito mais tempo, pois até nos dias de hoje elas soam originais e não há como cansar de ouvi-las. Ainda sonho com o dia de assistir ao vivo, mesmo que seja numa produção pequena e amadora.

Músicas favoritas: Bill, Can’t Help Lovin’ Dat Man, Mis'ry's Comin' Aroun', In Dahomey, Cotton Blossom e Finale Act One.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

A noite mais gay no deserto da Austrália



As luzes diminuem, a abertura começa ser tocada pela a orquestra e o teatro brilha como se tivéssemos cercados por milhares de estrelas. As três divas aparecem suspensas ao som de It’s Raining Men e a euforia da plateia aumenta instantaneamente. Em um momento como esse, como evitar a vontade de levantar e dançar junto com a música? É assim que começa uma das noites mais coloridas e divertidas que alguém poderia ter em um teatro.

O musical Priscilla – Rainha do Deserto conta a história Bernadette, Mizti e Adam, duas drag queens e uma transexual, que a bordo do ônibus Priscilla percorrem através do deserto australiano para fazer um show em Alice Springs. A versão brasileira que é idêntica ao que é apresentado na Broadway, chega com as músicas sem versões em português, salvo alguns trechos, mantendo o original em inglês.  

Apesar de não ter tido oportunidade de assistir pessoalmente a montagem de Londres e nem da Broadway, a não ser através de bootlegs (cof... cof...), comparações são inevitáveis. Menos no caso de Priscilla! Mesmo com a insatisfação de a montagem brasileira ser réplica da Broadway e não com a de Londres, a peça não deixou a desejar em nenhum segundo. O meu nariz torcido com a produção americana foi pelo fato das músicas terem sido alteradas para a cultura dos Estados Unidos, deixando para trás a forma original que o musical foi concebido e também ignorando grandes canções como Venus do Bananarama e Downtown da Petula Clark. A decisão de deixarem a maior parte das músicas em inglês foi interessante e inteligente, já que não seria nada agradável escutar I Will Survive ou It’s Raining Men em português. Mesmo assim, acredito que partes de algumas músicas poderiam ter sido traduzidas, assim como foi feito no início de “Say A Little Prayer”. Ajudaria no entendimento da história para outros que não entendem inglês. Porém, é um pequeno detalhe que não faz tanta diferença.

Leandro Luna - Surpresa da noite,
mostrando toda sua versatilidade.
(Foto: Caio Gallucci/Divulgação)  
Tudo é esteticamente perfeito. Os atores encarnam tão bem os papéis que conseguem nos carregar o público facilmente através da história. Os protagonistas Ruben Gabira, André Torquato e Luciano Andrey estão impecáveis e levam o texto de forma escrachada o que garante uma risada atrás de outra. As divas Simone Guitierriez, Priscilla Borges e Lívia Graciano dão um show a parte, ainda mais quando estão suspensas no palco. Leandro Luna como Miss Segura está hilário e tem o trabalho dobrado, constantemente está no palco e sempre com uma faceta diferente e faz lindamente a versão drag de Tina Tuner no início da peça. Andrezza Massei que já levava a plateia à gargalhada no Mamma Mia! continua fazendo o mesmo em Priscilla no papel da Shirley. Como a própria atriz descreveu: uma palhaçada atrás de outra. Saulo Vasconcelos apesar de aparecer no final do primeiro ato e cantar apenas uma música, é de grande valia para o elenco de peso e impagável vestido de canguru no grand finale. E falando do final, após o magnífico medley, que é uma das partes mais emocionantes onde todo o elenco está reunido no palco. Ainda temos especialmente na produção do Brasil a música Dancin’ Days d’As Frenéticas, cantada por todo elenco. É a cereja no topo do bolo. Nada melhor para finalizar do que o hino da disco music brasileira.

Quem deseja algum dia assistir um espetáculo digno de Broadway, não precisa ir muito longe. Tudo está ali no Teatro Bradesco. Talvez o ponto fraco desse musical seja a duração comparada com musicais longuíssimos mais tradicionais. Mesmo assim, são 2 horas e 15 minutos de pura diversão. 


terça-feira, 10 de abril de 2012

Um Violinista no Telhado – Tradição!



Topol no filme "Um Violinista no Telhado" de 1971

Houve uma época que eu comprava DVDs por compulsão. Na minha estante ia se formando uma pilha enorme de filmes que eu havia comprado e não tinha assistido. Foi nessa época que adquiri o filme do Um Violinista no Telhado (Fiddler on the Roof) apenas pelo fato de ser uma adaptação do musical da Broadway e que na realidade não sabia muito do que se tratava. Lá naquela pilha ficou o filme por mais de dois anos, até que surgiu uma faísca de interesse e realmente fui lá e coloquei para assistir. A história se passa na vila de judeus de Anatevka, onde Tevye e Golda vivem com suas cinco filhas na pobreza e mantendo as tradições judaicas de casamentos arranjados e respeitando o rabino como autoridade. As três horas de filme passaram como se fosse apenas uma hora, e por incrível que pareça eu não pausei o filme em nenhum momento. Quando terminou o filme bateu o arrependimento de não ter assistido logo que comprei o DVD. Até hoje foi um dos filmes que mais me encantou por suas músicas e pelo personagem Tevye, o leiteiro e pai de cinco filhas que segue a risca as tradições judaicas e está sempre conversando com Deus. Havia algo extraordinariamente inteligente naquele leiteiro que me fascinou por todos os momentos que estava na tela.

O musical Fiddler on the Roof abriu na Broadway em 1964 e teve mais de 3200 apresentações. É considerado um clássico e um dos maiores sucessos em teatro musical. Também já contou com inúmeras remontagens na Broadway e em Londres, em 1971 ganhou a versão cinematográfica vencedora de três Oscars. No Brasil, produzido pela dupla Möeller & Botelho, o musical estreou no Rio de Janeiro em 2011 e em 2012 em São Paulo.

A versão brasileira já estava na minha lista de musicais para não deixar de assistir. Primeiro que as produções de Möeller & Botelho são impecáveis e obrigatórias. Segundo que me encantei tanto com o filme que não poderia deixar de ver essa linda história ao vivo. José Mayer, mesmo sendo sua primeira experiência em teatro musical, foi a escolha perfeita para o papel de Tevye, não devendo nada aos atores Topol (filme) e Zero Mostel (Broadway) que são sempre lembrados como as melhores interpretações do personagem. Não vou citar mais nenhum outro nome do elenco para não ser injusto de falar de uns e não de outros, já que todos estavam perfeitamente lindos em seus papéis. A noite no Teatro Alfa foi uma cheia de muitas surpresas. A peça foi tudo o que esperava que fosse e um pouco mais, mesmo faltando a dancinha tradicional na música “If I Were a Rich Man”. No meu caso que conheço o filme melhor do que a peça, eu desconhecia da cena “The Rumor”. A cena é uma das mais engraçadas, mas parece não pertencer ao musical, me senti assistindo algo do Sondheim por alguns minutos.

Resumindo meus sentimentos: musical perfeito para os amantes da Broadway mais tradicional assim como eu. A nossa versão brasileira faz valer a fama do Brasil ser o terceiro maior pólo de teatro musical no mundo. A mensagem de tolerância e a busca de felicidade e harmonia valem nos dias de hoje, o que faz desse musical ser especial. Um pequeno problema, após assistir a peça, provavelmente você irá ficar cantando “Tradição” por uns dois dias.





quarta-feira, 7 de março de 2012

Títulos de filmes retraduzidos - Parte 2

Atendendo a pedidos, resolvi fazer uma "Parte 2" da postagem "Títulos de Filmes Retraduzidos"

Título original: Mad Money
Título nacional: Loucas Por Amor, Viciadas em Dinheiro
Título retraduzido: Crazy For Love, Addicted to Money


Título original: The Help
Título nacional: Histórias Cruzadas
Título retraduzido: Crossed Stories


Título original: Vacation
Título nacional: Férias Frustradas
Título retraduzido: Frustrated Vacations


Título original: The Girl With The Dragon Tattoo 
Título nacional: Millenium - Os Homens Que Não Amavam As Mulheres  (essa é culpa da tradução do livro!)
Título retraduzido: Millenium - The Men Who Didn't Love the Women


Título original: Wayne's World 
Título nacional: Quanto Mais Idiota Melhor
Título retraduzido: The More Stupid The Better


Título original: The Notebook
Título nacional: Diário de Uma Paixão
Título retraduzido: Diary of a Passion


Título original: Sister Act
Título nacional: Mudança de Hábito
Título retraduzido: Change of Habit


Título original: Teen Wolf
Título nacional: O Garoto do Futuro
Título retraduzido: The Boy From The Future


Título original: The Kid
Título nacional: Duas Vidas
Título retraduzido: Two Lives


Título original: It's Kind Of A Funny Story
Título nacional: Se Enlouquecer, Não se Apaixone
Título retraduzido: If You Go Crazy, Don't Fall in Love


Título original: Quills
Título nacional: Contos Proibidos do Marquês da Sade
Título retraduzido: Marquis de Sade's Forbidden Tales


Título original: Working Girl
Título nacional: Secretária do Futuro
Título retraduzido: Secretary from the Future


Título original: Dick
Título nacional: Todas Garotas do Presidente
Título retraduzido: All The President's Girls



Título original: Jumpin' Jack Flash
Título nacional: Salve-Se Quem Puder
Título retraduzido: Save Yourself If You Can



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Filmes: buscando alternativas


Correndo de Hollywood

Nos últimos dois anos, Hollywood vem me desmotivando a assistir qualquer coisa produzida por ela. Acabo buscando filmes que fogem desse padrão Hollywoodiano que já está pra lá de saturado. Chamo os filmes que, atualmente, gosto de assistir de “filmes alternativos”. Se for realmente buscar o significado de “Filmes Alternativos” no Google vou achar algo um pouco diferente da minha concepção. Eu considero um filme alternativo qualquer filme antigo, cult, filme B, estrangeiro, nacional, independente e até mesmo filmes de Bollywood, ou seja, nada que os grandes estúdios americanos andam produzindo ultimamente.

Em minha opinião, ser cinéfilo, ou meramente apreciar o cinema em geral, não é ir ao cinema toda semana e consumir qualquer coisa que esteja sendo projetada.  O motivo principal de deixar filmes atuais de Hollywood um pouco de lado é que existe muita coisa melhor para assistir do que os filmes de sempre que lotam os cinemas. Sinto que a vida é muito curta para me prender apenas aos blockbusters que talvez vão me divertir por duas horas, mas não serão nada mais do que isso. Há, ainda, aqueles filmes que eu assisto e se alguém me pedir sobre ele no dia seguinte eu não vou conseguir contar, simplesmente porque eu já me esqueci do filme. Enquanto há aqueles que eu assisto e consigo lembrar com detalhes muitos anos depois, apenas pelo fato de ser único e memorável, não somente um filme descartável.

Não me recordo qual foi a época que tomei gosto pelo “alternativo”, mas lembro que há uns 15 anos atrás eu achava mais interessante os filmes da EuroChannel do que os da HBO. Ainda relembro ótimos filmes europeus que assisti na EuroChannel, mas infelizmente os nomes se perderam na minha cabeça com o passar dos anos.

O cinema atual parece ter ficado artificial e já mastigado para as pessoas poderem consumir rapidamente. Há fórmulas prontas para garantir o sucesso: se você busca um romance, provavelmente vai achar apenas uma comédia romântica protagonizada por atores do momento que fará você dar algumas risadas e que o final da trama será açucarado. Se você busca um filme de ação ou aventura, temos que engolir um filme com 90% de efeitos especiais que vão contar a história de um super herói dos quadrinhos ou de personagens de um mundo da fantasia. Sem contar ainda que vendem qualquer filme desses como 3D para lucrar ainda mais na bilheteria. Todos os gêneros estão ficando na mesmice, não conseguindo fazer mais do que 10 filmes realmente bons por ano.

Não sei se com o passar do tempo fiquei mais exigente ou chato, mas sinto que falta um cinema melhor escrito e mais criativo. Tudo isso me faz voltar ao tempo e recorrer aos clássicos, épicos e os musicais dos anos 40 aos 70. Não é com grande surpresa que consigo achar a qualidade que falta nos dias de hoje nesses filmes antigos. Mas não é só no passado que eram feitos bons filmes, há filmes excelentes atualmente que foram rodados longe de Hollywood, mas são infelizmente ignorados pelo fato de não ter nenhum ator conhecido, não ter sido feito nos Estados Unidos ou por não ter sido tão divulgado.

Ultimamente tenho assistido a muitos filmes por recomendações de amigos, conhecidos e até mesmo desconhecidos e não fiquei decepcionado com nenhum. Alguns filmes que assisto são tiros no escuro, leio rapidamente a sinopse, assisto e me apaixono.

Algumas das boas surpresas que tive nos últimos tempos foram:


- 3 Idiots (2009): comédia de Bollywood com “apenas” 3 horas de duração, mas tudo no filme é tão divertido, agradável e gostoso de acompanhar que parece ter apenas 1h30m de duração. O filme relata sobre três amigos na universidade, um professor sádico, uma aposta esquecida, a invasão de um casamento, um funeral, um romance e o verdadeiro valor da amizade. Tudo isso com toques musicais de Bollywood e imagens coloridíssimas de encher os olhos.




- Almas Desesperadas (Don’t Bother To Knock - 1952): Um dos grandes sucessos de Marilyn Monroe. Quando comprei o DVD não fazia idéia do que tratava o filme. Comprei pela atriz e também o DVD custava apenas 7,90. Foi apenas o segundo filme que tinha assistido da Marylin, o suficiente para fazer apreciar o talento dela que eu achava que não existia. O filme me fez lembrar o ar caótico e angustiante dos suspenses de Hitchcock. Dizem que, com esse filme, Marilyn queria mostrar que realmente era uma boa atriz, e conseguiu.




- Os Abutres Têm Fome (Two Mules For Sister Sara – 1970): Clint Eastwood em mais um papel no gênero faroeste. Me fez lembrar a época em que a Sessão da Tarde ainda passava filmes do gênero e também me fez perceber o quanto esses filmes podem ser agradáveis de assistir. O filme começa bem, Hogan (Eastwood) salva a freira Sara (Shirley McLaine) de ser estuprada no meio do deserto, assim dando início as suas aventuras.





 - Românticos Anônimos (Les émotifs anonymes – 2010): Primeiro filme que assisti no cinema em 2012 e comecei o ano com o pé direito. Filme leve, despretensioso e gracioso que me fez rir por toda 1h20min de duração. O filme conta sobre um homem e uma mulher que são diferentes, mas possuem duas coisas em comum: são patalogicamente românticos e tem paixão por chocolates.



- Nossa, Que Loucura! (For Pete’s Sake – 1974): Além de o filme ser engraçadíssimo, foi engraçado a forma que encontrei esse filme. Olhando os filmes em promoção em uma loja, eu avistei o nome e na hora falei “Nossa, que ridículo esse nome!”, quando puxei o DVD pra ver a capa eu pulei ao ver a Barbra Streisand. Apaixonado pelos filmes musicais da Barbra, eu não pensei duas vezes e levei o DVD. Ela já é engraçada por natureza e deixa as situações cômicas do filme melhores ainda. O filme conta a história da Henrietta, que vai em busca de um agiota para ajudar seu marido Pete em um investimento. A dívida vira uma bola de neve e ela se sujeita a vários trabalhos para que nada aconteça a ela e Pete.



- Patrick 1,5 (2008): Filmes suecos são sempre bem-vindos, são ótimos e nunca me decepcionam, mas esse foi uma surpresa em tanto. Conta sobre um casal homossexual que resolvem adotar um filho e que, por engano, acabam recebendo um menino de 15 anos que é delinqüente e homofóbico. É um pouco previsível, mas lindo o rumo que o filme vai tomando.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Carrie is Back

Playbill Original de 1988
Hoje, 31 de janeiro, é a data mais esperada nos últimos anos para todos os obcecados, assim como eu, pelo musical “Carrie”. Depois de 24 anos o musical volta para Nova York na Off-Broadway.

O musical, com música de Michael Gore e letra de Dean Pitchford, foi um dos lendários fracassos da Broadway, a crítica detonou a produção o que fez fechar ao público depois de apenas 5 apresentações, mas foi o suficiente para virar cult e ganhar vários fãs que fazem qualquer coisa por materiais não oficiais.

Carrie, uma produção da Royal Shakespeare Company de Stratford, Inglaterra, teve início em Fevereiro de 1988 tendo Linzi Hateley no papel da Carrie e Barbara Cook interpretando Margaret White. Após a primeira apresentação em Stratford, Barbara Cook deixou o elenco depois de ser quase decapitada pelo cenário, o que deu espaço a entrada para Betty Buckley. Após a temporada inicial de 4 semanas em Stratford, os produtores resolveram gastar oito milhões de dólares para levar a produção inteira para Broadway. Desde a produção de Stratford até a abertura oficial na Broadway, o roteiro teve várias mudanças diariamente chegando a causar tumultos nos bastidores quando os compositores apareciam meia hora antes da cortina subir com uma música nova, foi exatamente o que aconteceu na noite de estréia.

Mas o que fez do musical ser um grande fracasso? Primeiramente, quem foi assistir o musical sem nunca ter assistido o filme de 1976 ou ter lido o livro de Stephen King, não fazia idéia do que se passava no palco, já que em nenhum ponto do roteiro foram citados os poderes de telecinésia de Carrie. A cenografia foi outro ponto sofrível, quando o palco não estava totalmente escuro fazendo os atores se perderem na escuridão, o palco ficava com paredes grandes brancas que supostamente seria a escola que Carrie estudava. A coreografia pela Debbie Allen também foi um ponto risível, mesmo em cenas com músicas mais lentas os atores pareciam estar em uma cena do “Fama”. Entretanto, observando bem as músicas, a representação e vozes da Linzi Hateley e Betty Buckley, fica mais fácil de entender porque o musical é considerado cult e apreciado nos dias de hoje. As músicas cantadas pela Carrie e Margaret são todas em minha opinião show-stoppers, principalmente a belíssima And Eve Was Weak, e a melhor música de todas, I Remember How Those Boys Could Dance, onde Carrie usa pela primeira vez seus poderes para se defender da mãe fanática religiosa.

Final do Ato I - I Remember How Those Boys Could Dance

Quando ouvi falar da existência desse musical e sobre o fracasso que foi, a primeira coisa que fiz foi procurar vídeos no YouTube. O primeiro vídeo que vi foi a filmagem da música de abertura chamada “In”, onde as atrizes dão um belo espetáculo de boa forma e coreografia, sem falar que a música é totalmente envolvente e empolgante. Logo fiquei curioso para saber como eles recriaram a famosa cena do balde cheio de sangue, e para minha alegria logo em seguida achei o vídeo da cena também na qual é popularmente conhecida como The Destruction. Sinceramente quando vi pela primeira vez a cena eu fiquei surpreso, é tão bom e tão mal feito ao mesmo tempo que fica difícil de explicar . A cortina de proteção desce, há efeitos especiais com lasers vermelhos, flashes de luzes, faíscas e os gritos dos adolescentes preenchem a cena para logo aparecer uma escadaria gigantesca que lentamente desce onde a mãe de Carrie a aguarda com uma faca na mão. Parece ser tosco, mas a cena é linda e triste.

Em 2008, para a alegria de muitos fãs do musical, foi divulgado que o libretto tinha sido revisado e em breve fariam uma leitura de teste. Essa leitura ocorreu apenas 1 ano depois e contava com Sutton Foster, Marin Mazzie e Molly Ranson. Foi em 2010, um ano após a leitura de teste que foi divulgado que finalmente o musical voltaria Off-Broadway, mas ainda tivemos que esperar mais 16 meses para que a primeira noite de apresentação fosse aberta ao público.
Agora é esperar para que comece aparecer as críticas e torcer que o sucesso seja tão grande para que a produção mude para um teatro da Broadway. Também agora é a esperança para que saia uma gravação oficial, já que o musical nunca foi gravado anteriormente em estúdio. Carrie é um musical para ser observado com muito cuidado, por baixo de um musical mal escrito e bizarro, encontra-se uma obra-prima.

"In" - Coreografia puxada já na abertura do musical

Betty Buckley arrasando em "I Remember How Those
Boys Could Dance" juntamente com Linzy Hateley

"The Destruction" - What the hell is going on?

domingo, 22 de janeiro de 2012

Títulos de filmes retraduzidos

Outro dia eu estava conversando com um amigo do exterior sobre como às vezes os títulos dos filmes aqui no Brasil são traduzidos de forma bizarra, então eu estava retraduzindo para ele alguns títulos do português para o inglês. Assim ficou a brincadeira:


Título original: The Godfather
Título nacional: O Poderoso Chefão
Título retraduzido: The Powerful Big Boss


Título original: Step Up
Título nacional: Se Ela Dança, Eu Danço
Título retraduzido: If She Dances, I Dance


Título original: Ocean’s Eleven
Título nacional: Onze Homens e Um Segredo
Título retraduzido: Eleven Men and One Secret


Título original: Rat Race
Título nacional: Tá todo mundo Louco! Uma Corrida Por Milhõe$
Título retraduzido: Everybody is Crazy! A Race for Million$ (esse é o mais ridículo!)


Título original: Calamity Jane
Título nacional: Ardida como Pimenta


Título retraduzido: Hot Like Pepper
Título original: The Sound of Music


Título nacional: A Noviça Rebelde
Título retraduzido: The Rebel Novice


Título original: Airplane
Título nacional: Apertem os cintos... O piloto sumiu.
Título retraduzido: Fasten Your Seatbels... The Pilot’s Gone.


Título original: Mrs. Doubtfire
Título nacional: Uma Babá Quase Perfeita
Título retraduzido: An Almost Perfect Nanny


Título original: Riding in Cars With Boys 
Título nacional: Os Garotos da Minha Vida
Título retraduzido: The Boys of My Life


Título original: Scary Movie
Título nacional: Todo Mundo em Pânico
Título retraduzido: Everybody in Panic


Título original: The Tuxedo
Título nacional: O Terno de 2 Bilhões de Dólares
Título retraduzido: The Two-Billion-Dollar Suit


Título original: Analyze This
Título nacional: Máfia no Divã
Título retraduzido: Mafia On the Divan


Título original: Mystic River
Título nacional: Sobre Meninos e Lobos
Título retraduzido: About Boys and Wolves


Título original: Meet the Parents
Título nacional: Entrando Numa Fria
Título retraduzido: Getting Into Problems


Título original: Breakfast At Tiffany’s
Título nacional: Bonequinha de Luxo
Título retraduzido: Luxury Little Doll


Título original: Ferris Bueller’s Day Off
Título nacional: Curtindo A Vida Adoidado
Título retraduzido: Enjoying Life Insanely


Título original: Giant
Título nacional: Assim Caminha a Humanidade
Título retraduzido: That’s How The Humanity Goes


Título original: The Shawshank Redemption
Título nacional: Um Sonho de Liberdade
Título retraduzido: A Dream of Liberty


Título original: My Girl 2
Título nacional: Meu “Primeiro” Amor 2
Título retraduzido: My First Love 2



Além de bizarro o título, é também explicar que
Rowan Atkinson é o Mr. Bean no poster do filme.