sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Filmes: buscando alternativas


Correndo de Hollywood

Nos últimos dois anos, Hollywood vem me desmotivando a assistir qualquer coisa produzida por ela. Acabo buscando filmes que fogem desse padrão Hollywoodiano que já está pra lá de saturado. Chamo os filmes que, atualmente, gosto de assistir de “filmes alternativos”. Se for realmente buscar o significado de “Filmes Alternativos” no Google vou achar algo um pouco diferente da minha concepção. Eu considero um filme alternativo qualquer filme antigo, cult, filme B, estrangeiro, nacional, independente e até mesmo filmes de Bollywood, ou seja, nada que os grandes estúdios americanos andam produzindo ultimamente.

Em minha opinião, ser cinéfilo, ou meramente apreciar o cinema em geral, não é ir ao cinema toda semana e consumir qualquer coisa que esteja sendo projetada.  O motivo principal de deixar filmes atuais de Hollywood um pouco de lado é que existe muita coisa melhor para assistir do que os filmes de sempre que lotam os cinemas. Sinto que a vida é muito curta para me prender apenas aos blockbusters que talvez vão me divertir por duas horas, mas não serão nada mais do que isso. Há, ainda, aqueles filmes que eu assisto e se alguém me pedir sobre ele no dia seguinte eu não vou conseguir contar, simplesmente porque eu já me esqueci do filme. Enquanto há aqueles que eu assisto e consigo lembrar com detalhes muitos anos depois, apenas pelo fato de ser único e memorável, não somente um filme descartável.

Não me recordo qual foi a época que tomei gosto pelo “alternativo”, mas lembro que há uns 15 anos atrás eu achava mais interessante os filmes da EuroChannel do que os da HBO. Ainda relembro ótimos filmes europeus que assisti na EuroChannel, mas infelizmente os nomes se perderam na minha cabeça com o passar dos anos.

O cinema atual parece ter ficado artificial e já mastigado para as pessoas poderem consumir rapidamente. Há fórmulas prontas para garantir o sucesso: se você busca um romance, provavelmente vai achar apenas uma comédia romântica protagonizada por atores do momento que fará você dar algumas risadas e que o final da trama será açucarado. Se você busca um filme de ação ou aventura, temos que engolir um filme com 90% de efeitos especiais que vão contar a história de um super herói dos quadrinhos ou de personagens de um mundo da fantasia. Sem contar ainda que vendem qualquer filme desses como 3D para lucrar ainda mais na bilheteria. Todos os gêneros estão ficando na mesmice, não conseguindo fazer mais do que 10 filmes realmente bons por ano.

Não sei se com o passar do tempo fiquei mais exigente ou chato, mas sinto que falta um cinema melhor escrito e mais criativo. Tudo isso me faz voltar ao tempo e recorrer aos clássicos, épicos e os musicais dos anos 40 aos 70. Não é com grande surpresa que consigo achar a qualidade que falta nos dias de hoje nesses filmes antigos. Mas não é só no passado que eram feitos bons filmes, há filmes excelentes atualmente que foram rodados longe de Hollywood, mas são infelizmente ignorados pelo fato de não ter nenhum ator conhecido, não ter sido feito nos Estados Unidos ou por não ter sido tão divulgado.

Ultimamente tenho assistido a muitos filmes por recomendações de amigos, conhecidos e até mesmo desconhecidos e não fiquei decepcionado com nenhum. Alguns filmes que assisto são tiros no escuro, leio rapidamente a sinopse, assisto e me apaixono.

Algumas das boas surpresas que tive nos últimos tempos foram:


- 3 Idiots (2009): comédia de Bollywood com “apenas” 3 horas de duração, mas tudo no filme é tão divertido, agradável e gostoso de acompanhar que parece ter apenas 1h30m de duração. O filme relata sobre três amigos na universidade, um professor sádico, uma aposta esquecida, a invasão de um casamento, um funeral, um romance e o verdadeiro valor da amizade. Tudo isso com toques musicais de Bollywood e imagens coloridíssimas de encher os olhos.




- Almas Desesperadas (Don’t Bother To Knock - 1952): Um dos grandes sucessos de Marilyn Monroe. Quando comprei o DVD não fazia idéia do que tratava o filme. Comprei pela atriz e também o DVD custava apenas 7,90. Foi apenas o segundo filme que tinha assistido da Marylin, o suficiente para fazer apreciar o talento dela que eu achava que não existia. O filme me fez lembrar o ar caótico e angustiante dos suspenses de Hitchcock. Dizem que, com esse filme, Marilyn queria mostrar que realmente era uma boa atriz, e conseguiu.




- Os Abutres Têm Fome (Two Mules For Sister Sara – 1970): Clint Eastwood em mais um papel no gênero faroeste. Me fez lembrar a época em que a Sessão da Tarde ainda passava filmes do gênero e também me fez perceber o quanto esses filmes podem ser agradáveis de assistir. O filme começa bem, Hogan (Eastwood) salva a freira Sara (Shirley McLaine) de ser estuprada no meio do deserto, assim dando início as suas aventuras.





 - Românticos Anônimos (Les émotifs anonymes – 2010): Primeiro filme que assisti no cinema em 2012 e comecei o ano com o pé direito. Filme leve, despretensioso e gracioso que me fez rir por toda 1h20min de duração. O filme conta sobre um homem e uma mulher que são diferentes, mas possuem duas coisas em comum: são patalogicamente românticos e tem paixão por chocolates.



- Nossa, Que Loucura! (For Pete’s Sake – 1974): Além de o filme ser engraçadíssimo, foi engraçado a forma que encontrei esse filme. Olhando os filmes em promoção em uma loja, eu avistei o nome e na hora falei “Nossa, que ridículo esse nome!”, quando puxei o DVD pra ver a capa eu pulei ao ver a Barbra Streisand. Apaixonado pelos filmes musicais da Barbra, eu não pensei duas vezes e levei o DVD. Ela já é engraçada por natureza e deixa as situações cômicas do filme melhores ainda. O filme conta a história da Henrietta, que vai em busca de um agiota para ajudar seu marido Pete em um investimento. A dívida vira uma bola de neve e ela se sujeita a vários trabalhos para que nada aconteça a ela e Pete.



- Patrick 1,5 (2008): Filmes suecos são sempre bem-vindos, são ótimos e nunca me decepcionam, mas esse foi uma surpresa em tanto. Conta sobre um casal homossexual que resolvem adotar um filho e que, por engano, acabam recebendo um menino de 15 anos que é delinqüente e homofóbico. É um pouco previsível, mas lindo o rumo que o filme vai tomando.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Carrie is Back

Playbill Original de 1988
Hoje, 31 de janeiro, é a data mais esperada nos últimos anos para todos os obcecados, assim como eu, pelo musical “Carrie”. Depois de 24 anos o musical volta para Nova York na Off-Broadway.

O musical, com música de Michael Gore e letra de Dean Pitchford, foi um dos lendários fracassos da Broadway, a crítica detonou a produção o que fez fechar ao público depois de apenas 5 apresentações, mas foi o suficiente para virar cult e ganhar vários fãs que fazem qualquer coisa por materiais não oficiais.

Carrie, uma produção da Royal Shakespeare Company de Stratford, Inglaterra, teve início em Fevereiro de 1988 tendo Linzi Hateley no papel da Carrie e Barbara Cook interpretando Margaret White. Após a primeira apresentação em Stratford, Barbara Cook deixou o elenco depois de ser quase decapitada pelo cenário, o que deu espaço a entrada para Betty Buckley. Após a temporada inicial de 4 semanas em Stratford, os produtores resolveram gastar oito milhões de dólares para levar a produção inteira para Broadway. Desde a produção de Stratford até a abertura oficial na Broadway, o roteiro teve várias mudanças diariamente chegando a causar tumultos nos bastidores quando os compositores apareciam meia hora antes da cortina subir com uma música nova, foi exatamente o que aconteceu na noite de estréia.

Mas o que fez do musical ser um grande fracasso? Primeiramente, quem foi assistir o musical sem nunca ter assistido o filme de 1976 ou ter lido o livro de Stephen King, não fazia idéia do que se passava no palco, já que em nenhum ponto do roteiro foram citados os poderes de telecinésia de Carrie. A cenografia foi outro ponto sofrível, quando o palco não estava totalmente escuro fazendo os atores se perderem na escuridão, o palco ficava com paredes grandes brancas que supostamente seria a escola que Carrie estudava. A coreografia pela Debbie Allen também foi um ponto risível, mesmo em cenas com músicas mais lentas os atores pareciam estar em uma cena do “Fama”. Entretanto, observando bem as músicas, a representação e vozes da Linzi Hateley e Betty Buckley, fica mais fácil de entender porque o musical é considerado cult e apreciado nos dias de hoje. As músicas cantadas pela Carrie e Margaret são todas em minha opinião show-stoppers, principalmente a belíssima And Eve Was Weak, e a melhor música de todas, I Remember How Those Boys Could Dance, onde Carrie usa pela primeira vez seus poderes para se defender da mãe fanática religiosa.

Final do Ato I - I Remember How Those Boys Could Dance

Quando ouvi falar da existência desse musical e sobre o fracasso que foi, a primeira coisa que fiz foi procurar vídeos no YouTube. O primeiro vídeo que vi foi a filmagem da música de abertura chamada “In”, onde as atrizes dão um belo espetáculo de boa forma e coreografia, sem falar que a música é totalmente envolvente e empolgante. Logo fiquei curioso para saber como eles recriaram a famosa cena do balde cheio de sangue, e para minha alegria logo em seguida achei o vídeo da cena também na qual é popularmente conhecida como The Destruction. Sinceramente quando vi pela primeira vez a cena eu fiquei surpreso, é tão bom e tão mal feito ao mesmo tempo que fica difícil de explicar . A cortina de proteção desce, há efeitos especiais com lasers vermelhos, flashes de luzes, faíscas e os gritos dos adolescentes preenchem a cena para logo aparecer uma escadaria gigantesca que lentamente desce onde a mãe de Carrie a aguarda com uma faca na mão. Parece ser tosco, mas a cena é linda e triste.

Em 2008, para a alegria de muitos fãs do musical, foi divulgado que o libretto tinha sido revisado e em breve fariam uma leitura de teste. Essa leitura ocorreu apenas 1 ano depois e contava com Sutton Foster, Marin Mazzie e Molly Ranson. Foi em 2010, um ano após a leitura de teste que foi divulgado que finalmente o musical voltaria Off-Broadway, mas ainda tivemos que esperar mais 16 meses para que a primeira noite de apresentação fosse aberta ao público.
Agora é esperar para que comece aparecer as críticas e torcer que o sucesso seja tão grande para que a produção mude para um teatro da Broadway. Também agora é a esperança para que saia uma gravação oficial, já que o musical nunca foi gravado anteriormente em estúdio. Carrie é um musical para ser observado com muito cuidado, por baixo de um musical mal escrito e bizarro, encontra-se uma obra-prima.

"In" - Coreografia puxada já na abertura do musical

Betty Buckley arrasando em "I Remember How Those
Boys Could Dance" juntamente com Linzy Hateley

"The Destruction" - What the hell is going on?

domingo, 22 de janeiro de 2012

Títulos de filmes retraduzidos

Outro dia eu estava conversando com um amigo do exterior sobre como às vezes os títulos dos filmes aqui no Brasil são traduzidos de forma bizarra, então eu estava retraduzindo para ele alguns títulos do português para o inglês. Assim ficou a brincadeira:


Título original: The Godfather
Título nacional: O Poderoso Chefão
Título retraduzido: The Powerful Big Boss


Título original: Step Up
Título nacional: Se Ela Dança, Eu Danço
Título retraduzido: If She Dances, I Dance


Título original: Ocean’s Eleven
Título nacional: Onze Homens e Um Segredo
Título retraduzido: Eleven Men and One Secret


Título original: Rat Race
Título nacional: Tá todo mundo Louco! Uma Corrida Por Milhõe$
Título retraduzido: Everybody is Crazy! A Race for Million$ (esse é o mais ridículo!)


Título original: Calamity Jane
Título nacional: Ardida como Pimenta


Título retraduzido: Hot Like Pepper
Título original: The Sound of Music


Título nacional: A Noviça Rebelde
Título retraduzido: The Rebel Novice


Título original: Airplane
Título nacional: Apertem os cintos... O piloto sumiu.
Título retraduzido: Fasten Your Seatbels... The Pilot’s Gone.


Título original: Mrs. Doubtfire
Título nacional: Uma Babá Quase Perfeita
Título retraduzido: An Almost Perfect Nanny


Título original: Riding in Cars With Boys 
Título nacional: Os Garotos da Minha Vida
Título retraduzido: The Boys of My Life


Título original: Scary Movie
Título nacional: Todo Mundo em Pânico
Título retraduzido: Everybody in Panic


Título original: The Tuxedo
Título nacional: O Terno de 2 Bilhões de Dólares
Título retraduzido: The Two-Billion-Dollar Suit


Título original: Analyze This
Título nacional: Máfia no Divã
Título retraduzido: Mafia On the Divan


Título original: Mystic River
Título nacional: Sobre Meninos e Lobos
Título retraduzido: About Boys and Wolves


Título original: Meet the Parents
Título nacional: Entrando Numa Fria
Título retraduzido: Getting Into Problems


Título original: Breakfast At Tiffany’s
Título nacional: Bonequinha de Luxo
Título retraduzido: Luxury Little Doll


Título original: Ferris Bueller’s Day Off
Título nacional: Curtindo A Vida Adoidado
Título retraduzido: Enjoying Life Insanely


Título original: Giant
Título nacional: Assim Caminha a Humanidade
Título retraduzido: That’s How The Humanity Goes


Título original: The Shawshank Redemption
Título nacional: Um Sonho de Liberdade
Título retraduzido: A Dream of Liberty


Título original: My Girl 2
Título nacional: Meu “Primeiro” Amor 2
Título retraduzido: My First Love 2



Além de bizarro o título, é também explicar que
Rowan Atkinson é o Mr. Bean no poster do filme.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

As Aventuras Babacas de Agamenon


Estava eu em São Paulo sem muito que fazer quando resolvi me arriscar a assistir esse “filme”. Primeiro que, eu amo cinema nacional por mais que a rejeição do mesmo seja tão grande (algo que gostaria de entender), segundo que, por mais que um filme seja ruim eu consigo achar algo de legal nele. Nunca gostei nenhum pouco do Casseta & Planeta, achei que  o programa ficou até muito tempo no ar e também nunca entendi alguém que conseguisse dar risadas com as piadas babacas deles. No caso de “As Aventuras de Agamenon – O Repórter” eu resolvi dar uma chance, não era todos os caras do Casseta que estavam envolvidos, então poderia ser um pouco bom. Indo diretamente ao ponto: o filme é tosco, sem graça, ridículo, horrível e qualquer outro adjetivo ruim que exista cabe bem ao “filme”. Muito me assusta Fernanda Montenegro participar dessa babaquice toda, é incompreensível ela estar num “filme” que piadas tão anos 90 como falar “Eu sou espada!” ou o personagem se chamar “Jacinto Leite Aquino Rego”, sinceramente, quem ri desse tipo de coisas tem algum problema mental. Até mesmo me surpreende pessoas que eu nem admiro estarem no filme como FHC, Pedro Bial, Jô Soares e Paulo Coelho. Provavelmente levaram uma boa grana pra aparecer no filme, ou nem receberam o roteiro completo.

Outra coisa que nunca entendia era pessoas que iam ao cinema e saiam no meio da exibição, sempre me perguntei: “A pessoa paga o ingresso pra nem ficar até o final do filme?”. Na primeira meia hora contei 5 pessoas que saíram do cinema (sim, não tinha algo melhor pra fazer), quando passou quase 1 hora de filme fui eu que não agüentei e tive que sair, já tinha extrapolado o limite da estupidez.
Vim aqui mais para desabafar, porque quero tentar esquecer para sempre que entrei em uma sala de cinema para assistir isso. Uma vergonha total para o cinema brasileiro. Não valeu nem a meia-entrada no valor de R$3,00 que paguei, preferia ter ido ao quiosque do McDonalds e ter comprado uma casquinha e uma água com esse dinheiro que teria aproveitado muito mais.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

HAIR - Paz e Amor!


É de esperar que uma produção do Möeller & Botelho seja sempre perfeita, mas depois de assistir Gypsy e O Despertar da Primavera eu achava que nada deles poderia ser melhor. Fui pego de surpresa ao assistir a estréia paulista do Hair no último dia 13/01 no Teatro Frei Caneca. O musical que foi um grande sucesso no mundo inteiro no final dos anos 60  fala sobre o estilo de vida hippie, amor livre, drogas, libertação e rock psicodélico, num período que eles lutavam contra a obrigatoriedade de se alistar para a Guerra do Vietnã.
Nunca fui muito fã do musical, sempre me senti meio perdido nele, tinha assistido apenas duas vezes o filme, mas conhecia bem quase todas as músicas. Posso dizer que a “experiência Hair” foi cheia de primeiras vezes. Desde o número de abertura, a energia do elenco juntamente com do público estava fantástica e não recordo de sentir isso em nenhum outro musical que eu tenha visto. Também foi a primeira vez que senti algo descontrolado saindo de dentro de mim após o término da música título “Hair”, a performance foi tão eletrizante que nada mais consegui fazer a não ser gritar durante os aplausos. Tudo foi tão surpreendente perfeito do início ao fim que não tem como achar pontos ruins ou falhas nessa produção. 

Maravilhosa Juliana Peppi
Juliana Peppi me encantou com aquele vozerão todo, o que me fez ir as lágrimas na sua saída no final do espetáculo nas duas noites que assisti (tive a oportunidade de assistir novamente no dia 15/01).  A mesma coisa ocorreu com Estrela Blanco cantando “Frank Mills”. Sem dúvidas é a música mais aplaudida por todos e a performance mais meiga e sincera que já vi num palco. Já com a Kiara Sasso eu estava com um pé atrás desde que soube que ela iria entrar no lugar da Letícia Colin. No Despertar da Primavera gostei tanto da Letícia que a achei que ela fosse insubstituível, eu estava enganado.  A Kiara demonstrou grande versatilidade e me fez esquecer qualquer outro personagem que ela fez anteriormente, estava simplesmente encantadora, vontade de guardar ela pra sempre no meu bolso. 

Poderia escutar Estrela Blanco
cantando 'Frank Mills' sem parar.
Outras vozes surpreendentes são as de Kotoe Karasawa, Cássia Raquel e Jennifer Nascimento que ficaram tatuadas em minha mente e me fazem querer mais e mais de Hair. Daria pra falar muito de cada ator no elenco, mas acabaria me estendendo muito. Só indo assistir pessoalmente pra entender do que eu estou falando. Sem dúvidas a vibração, as músicas, as vozes e o sentimento de amor que o musical transmite fazem você se sentir diferente, quem sabe até mais tolerante as diferenças, pois o amor nunca é errado.


Final da estréia paulista no dia 13/01:



sábado, 24 de dezembro de 2011

So this is Christmas...

Acho que nos últimos 10 eu tenho preferido mais as festas de ano novo do que as de Natal. Há muito tempo que não consigo resgatar o clima natalino e sentir da mesma forma quando eu era criança. Quem sabe isso vai acontecendo com todo mundo ao passar dos anos.

O que mais me deixava feliz eram as poucas luzes de Natal da cidade, não era igual hoje em dia que por qualquer 10 reais você compra uma caixa com 100 lâmpadas. Também nunca fui uma criança que ganhava mais de um presente no final do ano. Hoje, dar presentes, parece que virou uma banalidade. Era feliz com o pouco que era oferecido e me sentia mais feliz do que qualquer outra época do ano.

Nos dias de hoje, a única coisa que me resgata esse sentimento é a música "Happy X-Mas" do John Lennon. Aí veio a Simone, regravou a música e me tirou a única coisa boa do Natal.

Ainda vale a pena escutar a música Happy X-mas todo ano, por mais que na hora lembre a Simone começando com "Então é Natal...". Ela tem uma mensagem intrínseca que nenhuma outra canção de natal possui. A música trás um sentimento de esperança e paz, mas também de arrependimento.



FELIZ NATAL!!!


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Era uma vez, a bruxa de Blair…


Há 12 anos, o filme “A Bruxa de Blair”(The Blair Witch Project, 1999) estreava no mundo inteiro depois do hype da divulgação do filme. Os produtores, muito espertos, fizeram o máximo para que as pessoas acreditassem que as imagens fossem reais e conseguiram. Antes da estréia no cinema, o documentário “The Curse of Blair Witch” foi transmitido na TV americana, onde o testemunho de parentes e amigos das “vítimas” da bruxa deixava tudo mais convincente. Na estréia do filme outra surpresa, o orçamento do filme de míseros 20 mil dólares teve lucro de mais de 100 milhões de dólares, apenas nos Estados Unidos, na primeira semana de exibição. Então, aí nascia um novo sub-gênero de filmes de terror: os “mockumentaries” ou pseudodocumentários. Enredos elaborados de forma mais real possível, usando câmeras portáteis que sacodem o tempo todo e colocando o espectador no ponto de vista do personagem.

Eu considero que tive a sorte de assistir A Bruxa de Blair no cinema. Na época, com internet discada, era quase impossível assistir um trailer pra saber do que um filme se tratava. Eu fui no embalo de amigos que diziam que era o filme era o mais assustador que já existiu. No começo do filme eu não estava entendendo muito, não sabia se o filme já tinha começado, ou se aquilo era algum recurso que o cinema resolveu colocar antes de iniciar o filme. Quando as luzes acenderam, eu ainda não estava certo do que tinha visto, mas sabia que tinha adorado. No caminho de volta para casa, a minha ficha caiu e, por um instante, percebi que nunca tinha sentido tanto medo.

O gênero terror sempre foi meu preferido desde criança. Meu desafio era assistir todos os filmes da seção de terror da vídeo-locadora, mas de todos os filmes de terror que já tinha visto, eu nunca achei um que realmente me deixasse com medo. Isso veio acontecer apenas com o surgimento dos mockumentaries.

Apesar da grande leva desse sub-gênero nos últimos anos, apenas em 2007 pude ver algo parecido, com o filme “O Extermínio 2” (28 Weeks Later). No filme, há uma cena que se passa em um túnel abandonado do metrô de Londres, recriando a mesma tensão ao deixar o espectador se guiar pelos sons e pela imagem escura da tela. Em 2008, a experiência da A Bruxa de Blair foi resgatado com o filme “Cloverfield”, que, infelizmente, na minha opinião deixou bastante a desejar. Na metade do filme é revelada a criatura que estava perseguindo as pessoas pela cidade, a partir desse ponto, o filme passa a não ter graça e o medo psicológico do desconhecido vai totalmente embora.

Também em 2008, os espanhóis vieram com o filme “[REC]”. O filme na verdade foi lançado em 2007, mas por falta de divulgação e por se tratar de um filme estrangeiro, o reconhecimento dele só veio apenas um ano depois. Em [REC], os criadores misturam o pânico e a desordem dos filmes de zumbi com a essência de A Bruxa de Blair. Logo depois do grande sucesso do filme, veio a sequência “[REC] 2”. Em minha opinião, a continuação é tão boa quanto o primeiro filme. Trata-se de uma continuação direta e retoma o filme exatamente da onde parou e, ainda na continuação do filme, temos revelações que fazem a história ficar bem mais clara. Até então, quando vi [REC], eu não tinha visto nada mais assustador quanto esse filme, especialmente pela cena final. Logo depois, surgiu o remake Hollywoodiano chamado “Quarentena” (Quarantine, 2008). Por esse remake, a única coisa que não tenho por ele é respeito, eles simplesmente recriaram o [REC] cena por cena. Apenas é uma versão medíocre de um filme ótimo, feito para americanos alienados que não conseguem admirar um filme vindo do estrangeiro.

Durante a mesma época, o filme “Atividade Paranormal” (Paranormal Activity, 2007) surgia para ficar no limbo por exatos dois anos. O filme teve sua história de produção bem similar com A Bruxa de Blair, orçamento baixo, divulgação no boca a boca e lucro de milhões na semana de estréia. O filme só acabou indo parar nos cinemas após as ínfimas exibições, onde os espectadores disputavam ingressos a tapas para conseguir ver o filme. Em 2009, a Paramount comprou os direitos e colocou em exibição no mundo inteiro, sendo sucesso imediato. Aproveitando o sucesso do filme, logo apareceram o “Atividade Paranormal 2” e “Atividade Paranormal 3” e, pelo que parece, ainda não para por aí, pois para 2014 já está planejada a estréia do quarto filme. Quando eu assisti ao primeiro filme da franquia, o filme ainda não tinha sido lançado no mundo inteiro, mas cópias ilegais começaram a circular pela internet. Admito que, até então, tinha sido o filme que mais me deu medo, mesmo após dias, qualquer barulho que eu escutava me dava medo. Depois de um mês de ter assistido a cópia ilegal, o filme foi lançado no cinema com o final original, até então desconhecido por quem tinha baixado da internet. Com isso, fez muitos, como eu, irem ao cinema apenas para ver o final original e que, realmente, fez toda a diferença para o filme. Infelizmente me decepcionei com a sequência, achei todos os sustos repetidos e não mostrava nada de novo. O terceiro filme da franquia, depois da decepção do segundo, eu não tive tanto interesse de assistir.

Recentemente, dois filmes me conquistaram e ganharam admiração. “Grave Encounters” (sem título em português, 2011) e “A Casa” (La Casa Muda, 2010). Com o passar dos tempos, geralmente os filmes ficam repetitivos, perdem a graça e acabam não passando emoção alguma. No caso desses filmes, realmente não há nada de novo, mas o terror psicológico é tão elevado que não tem como não considerar um dos melhores desse sub-gênero. O filme Grave Encounters acabou sendo sufocado pelo sucesso de Atividade Paranormal, o que é uma pena, já que o filme é bem superior à franquia de AP. Os produtores de Grave Encounters passaram mais de um ano atrás de um estúdio grande para o lançamento, o que não aconteceu. Foi lançado diretamente em DVD em Novembro de 2011. O filme conta sobre um grupo de especialistas em fantasmas, que possuem um programa na TV com o mesmo título do filme. Eles recebem o desafio de ficarem trancados em um manicômio desativado, por uma noite inteira, registrando todos os acontecimentos paranormais. O clima de suspense do filme já é criado nos primeiros minutos da rolagem, depois é como uma montanha russa sem fim, que você implora para descer. Em “A Casa”, o filme já se torna interessante por ser dos nossos vizinhos uruguaios, ter sido filmado com uma câmera fotográfica e em uma única tomada. O clima de terror do filme se torna tão sufocante e agoniante, que para mim foi impossível assistir sem que, a cada 2 minutos, eu apertasse o pause para respirar um pouco. O final pode decepcionar um pouco, mas não deixa de ser interessante. Dos 85 minutos do filme, pelo menos, 40 são de tensão e sustos desenfreados.



Outros filmes que recomendo para quem se interessar por pseudodocumentários são: “O Último Exorcismo” (The Last Exorcism, 2010) e “The Tunnel” (sem título em português, 2011). Ainda que, eu não tenha gostado tanto do O Último Exorcismo, eu penso que vale a pena pelo enredo e cena final. Já o The Tunnel, acaba cometendo o mesmo erro do Cloverfield, embora seja infinitamente melhor. O interessante do The Tunnel está na produção, em que você pode comprar 1 frame do filme por 1 dólar. O filme foi em uma direção totalmente contrária de Hollywood, lançando o filme primeiramente por torrent.

Outro pseudodocumentário que assisti hoje, para poder escrever esse post, foi Apollo 18. Além de ser o pior filme do sub-gênero que já assisti, foi um dos piores filmes que vi na minha vida. Para quem gosta de astronomia como no meu caso, o filme se torna interessante pelas imagens que eles criaram, realmente fazendo acreditar que o filme foi rodado na lua. Mas o enredo é fraco, não há sustos, os atores são péssimos e o clímax é insignificante. Ou seja, não assista.

Notas que dou para os filmes que citei:

A Bruxa de Blair 4/5 – Apesar de ter criado o gênero, nos dias de hoje o filme é fraco.
Extermínio 2 4/5 – O primeiro filme também é muito bom, mas ainda prefiro o segundo.
A Casa  5/5
Atividade paranormal 5/5
Atividade Paranormal 2 2/5
Grave Encounters 5/5
Cloverfiled 2/5
[REC] 5/5
[REC] 24.5/5
Quarantine 1/5
The Tunnel 3/5
The Last Exorcism 3/5
Apollo 18 1/5